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Mostrando postagens de março, 2025

Acredite, você é capaz!

       (...) E então o herói estava viajando. Suas andanças e conquistas o levaram a outras paisagens — destinos nunca antes pensados, mas sim muito ambicionados desde que ele tomou conhecimento dos fatos. Peregrinava por ambientes claros e escuros, várias terras lhe ampliavam os sentidos, direcionando-o em seus contornos e contextos ora atrativos ora sombrios, e adversos ocasos e perigos transformavam a jornada em algo muito mais difícil, ainda que ele ironicamente risse de seus presságios.      Como um refúgio certo e bom para futuras conquistas, lembrava de sua mera condição mortal e revisitava, às vezes não querendo muito ou achando que era perda de tempo, o já distante reino guardado pelas montanhas. Ao chegar, sempre persistia em sua postura reservada, privando-se por falar somente o necessário e indo direto para a sala do trono, onde o rei usualmente teria de ficar. Uma vez confirmado o rigor e o respeito para com o monarca, o convid...

As memórias do fogo.

     — (...) E então... nos colocávamos a viajar, Ásirus e eu. Juntos, porém solitários pelo mundo afora... — Em uma noite após a grande festa, o cavaleiro enfim falava, igual o rei a olhar com um brilho opaco e entristecido para o fogo da lareira. Pausas e momentos de hiato lhes eram constantes, e o próprio monarca não soube se teria acertado na decisão de forçá-lo a falar, pois agora temia seu descontrole. Ao que parecia, não era deverasmente digno aos nobres o choro e a recordação de histórias tristes, e todos os representantes das altas camadas sociais teriam as mesmas ou similares atitudes intempestivas e exageradas se colocados sob aquelas situações. — Certa vez, disse-me um governante sábio: jamais seremos capazes de apagar o inevitável. E continuo ao mesmo parecer de antes, atestando que tudo nos é efêmero, a exceção da memória... Perdão, meu rei, mas tinha de dividir tal dor com alguém, para libar-me deste sentimento de angústia o qual me consome como pesada...

O wyrm da montanha.

         (...) E então o herói estava viajando. Com seu cavalo, Ásirus, chegou a um povoado, que ficava próximo a uma montanha. Viu casas de madeira, e um vale vasto; posto em uma geografia azulada meio em tons de neve, mas que se harmonizava aos serpenteantes toques de verde em tempos de calor. Era uma visão linda e tranquila. Resolveu, logo, se aproximar.       — Viajante,  identifique-se e diga o porquê de sua presença.       Ambos, emissário e destinatário da mensagem, apenas viam o refúgio ao longe mas não enxergavam com nitidez suas construções. Posto entre duas torres de vigia altíssimas, o cavaleiro localizou o homem, que estava em uma das janelas retangulares da edificação da esquerda. Concluiu que, a julgar pelos tamanhos e, também pelos tempos não tão amigáveis que se faziam, existiriam mais guardas no topo, revezando-se e em vigilância constante daquilo que sempre poderia ser uma ameaça.     ...